Era um dia comum, nada demais. Pelo menos parecia, pra mim.
Eu estava saindo do trabalho, quando meu celular tocou. Chamada a cobrar – só porque eu havia colocado crédito. Excelente.
- Alô!
- Milton? É o João. Tudo bem?
- Tudo, cara. E você? Pode falar.
- Se liga. Vamos encontrar as meninas lá numa boate em ‘Copa’? Ta afim?
- Não, João. Nem vou. Estou sem dinheiro e não curto mais essa ‘vibe’ de boate.
- Não, João. Nem vou. Estou sem dinheiro e não curto mais essa ‘vibe’ de boate.
- AH! Milton. ‘Qual foi cara’? ‘Vamo, pô’. Várias gatinhas.
Eu disse "não" umas 574 vezes, mas o João insistiu tanto que acabei topando. Então fui pra casa tomar um banho e me arrumar.
Eu disse "não" umas 574 vezes, mas o João insistiu tanto que acabei topando. Então fui pra casa tomar um banho e me arrumar.
Cheguei exatamente às 22 horas na porta da boate. Eles demoraram meia hora pra chegar. João e outros cinco amigos dele. No telefone, ele havia me falado de garotas. Bem... Deixa pra lá.
- Grande Milton! Demoramos?
- Que nada. Amo esperar.
- E então. Vamos entrar?
- Claro! Ficar aqui fora não seria muito legal.
Interessante perceber que, mesmo depois de algum tempo sem entrar numa boate, mantenho meu ponto de vista em relação a este tipo de lugar: mulheres vestidas de Bozo (ou vovó Mafalda, como preferir), caras com tanto anabolizante na ‘mente’ que falta espaço pra dignidade e bom senso, e, os sempre presentes, ‘galanteadores de esquina’.
As músicas eram de péssima qualidade - se é que existe qualidade nas músicas de hoje em dia.
Tudo corria bem, quando duas mulheres entraram na boate. Todos os olhares se voltaram para as moças. Conhecia uma delas: era a Personal Infernizator Tabajara da vida do João, ex-namorada. Então pensei que dali em diante a 'coisa ia feder'.
João ficou com cara de idiota. Praticamente bêbado, parecia procurar alguma saída de emergência para fugir do ‘incêndio ambulante’ que acabara de entrar. Andava de um lado para outro. A essa altura, os seus amigos já haviam sumido no meio de toda aquela multidão.
Pra ajudar a ferrar com a noite do meu amigo, a dondoca ainda o viu e decidiu dar um ‘”oi”. Eu só pude assistir:
- João? É você? – Perguntou a moça. (Que perspicácia a dela, não?)
Trinta segundos depois e com muita gagueira:
- S-sim... Sou eu mesmo. Tudo bem, Vanessa?
- Tudo ótimo. Que bom te ver. Deixa eu te apresentar o meu namorado, o Rodolfo.
O namorado, Rodolfo: Um cara com quase dois metros de altura e mais bombado que o Arnold no filme do Conan. Me perguntava se não era melhor ela namorar um pitbull, enfim.
Após o momento “ferida aberta”, o casal se afastou. João não mudava a cara de mula e não largava o copo. Começou e beber mais ainda. Eu sugeri que fossemos embora. Ele não quis.
Às duas da manhã. A festa estava no “ápice”. Lembrei que precisava ir ao banheiro. Avisei ao João e corri, antes que me tornasse a atração úmida daquele inferninho elitizado.
Eu estava subindo as escadas que davam pro banheiro, aliviado, quando ouvi uma discussão. Coisas, tipo “me larga, imbecil”, “Não bate nele”. Imbecil? É o João! Pensei. Acelerei o quanto pude. Quando cheguei ao salão, lá estava ele: agarrado aos pés da Vanessa implorando por amor enquanto cinco caras tentavam conter o namorado brutamonte dela. Eu, como bom amigo que sou, fui me meter.
Depois de algumas bordoadas – três socos e um mata-leão para ser preciso, fora o que o João levou – Foi sorte sairmos vivos do local. Mal conseguia me manter em pé. O ‘carinha’ batia bem e forte. Meu tênis estava todo vomitado e com sangue graças ao meu amigo de infância, mestre na superação de problemas afetivos. O João mais parecia um “farrapo humano”. E os outros amigos dele? Já deviam estar em casa, no aconchego de suas camas.
Pegamos um táxi, deixei o “Buddy Love” em casa e fui pra minha, dormir. Nesse meio tempo eu fiquei pensando, não no que uma mulher pode fazer com um cara, mas sim, no que um cara pode fazer consigo mesmo mediante a uma obsessão emocional. Pobre João.
Fico imaginando se ele, por acaso, descobre que eu já dormi com a Vanessa. As coisas seriam bem piores.
Alguma observações:
Eu estava querendo escrever algo desse tipo há tempos. Me desculpem pelo erros, estou começando nisso agora. Antes que alguém venha me acusar de algo que algum dos personagem tenha feito, digo que este conto não é puramente baseado em fatos reais.
Eu estava querendo escrever algo desse tipo há tempos. Me desculpem pelo erros, estou começando nisso agora. Antes que alguém venha me acusar de algo que algum dos personagem tenha feito, digo que este conto não é puramente baseado em fatos reais.
Beijos e abraços.
4 comentários:
"Imbecil? É o João!" Hahaha gostei!
Gosto dessas aventuras de boate, e essas confusões sempre dão boas histórias pra contar. Mas não é todo mundo que aguenta essa vida todo santo fim de semana.
Um abraço
Valeu, cara.
Boates rendem histórias, mas concordo quando diz que fds sempre com boate dá no saco.
Abração!
Se você está começando nisso agora e já escreve tão bem, pode largar os desenhos e a biblioteconomia, porque você tem futuro nas crônicas!
E se não é puramente baseado em fatos reais, quer dizer que alguma parte é?
Po Rafael, Obrigado mesmo pelo elogio.
Deus te ouça. Seria muito bom fazer disso uma profissão, embora não seja muito o meu foco. Algo mais pra espairecer.
Na verdade, parte tem a ver com pessoas que existem.
A garota existe. Milton e João são personagens fictícios baseados na minha própria personalidade.
Mais uma vez obrigado.
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