Lembro que toda noite meu avô dizia que queria viver o suficiente para me ver formado, até eu me tornar um homem bem-sucedido – até mesmo se fosse sem um diploma. Divagava quanto ao número de meninas que correriam atrás de mim por ser um bom partido.
Eu era só um garoto. Não imaginava que um dia meu avô faleceria, nem o momento em que entraria numa faculdade.
Durante parte do meu ensino fundamental e todo o meu ensino médio eu não pensei em curso superior. Presenciava a todos fazendo vestibular para diversas instituições e eu não me interessava. As pessoas estranhavam às vezes. Eu não achava que isso fosse realmente alterar o meu futuro.
O tempo passou e eu, em um momento de impulsividade, talvez, decidi prestar vestibular. Fiz inscrição em um curso, e, durante o período de um ano, mudei de carreira pretendida por pelo menos umas cinco vezes. Não passei. Achei que não tinha estudado o suficiente. Novamente matriculado no curso, decidi que dessa vez estudaria e que faria matemática – um dos meus professores havia me sugerido tal carreira. Achei interessante. Ao fim de mais um ano eu já havia desistido de novo, mas descobri em fevereiro último que havia passado para Biblioteconomia na UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
No início eu fui tomado por uma impulsividade estranha. Comentei com a minha mãe – que ficou bem feliz -, com amigos e parentes. Comecei a faculdade, conheci gente nova, fiz amigos, passei em todas as matérias, fiquei com um Coeficiente de Rendimento bom, arrumei um estágio legal... Essas coisas.
Daí chegou o segundo período. Fiz inscrição em todas as matérias adequadas ao semestre. e então começariam as aulas... Resumos, fichamentos, seminários, estágio, trabalhos, desânimo... Acabei me atrapalhando. Por fim, abandonei as matérias e estou hoje tentando passar na única que tenho chance.
Daí chegou o segundo período. Fiz inscrição em todas as matérias adequadas ao semestre. e então começariam as aulas... Resumos, fichamentos, seminários, estágio, trabalhos, desânimo... Acabei me atrapalhando. Por fim, abandonei as matérias e estou hoje tentando passar na única que tenho chance.
Tudo isso me faz pensar se o quanto caminhei até aqui valeu à pena. Se essa minha vontade de ser como os outros vai me enriquecer de algum modo. Se todos os meus reais objetivos devem dar lugar aos objetivos que todas as pessoas normais têm.
Não sei o que mais me incomoda: largar a faculdade e ferir o orgulho que inconscientemente – ou não - semeei em parentes e pessoas próximas ou deixar tudo que mais quero morrer junto com a infância no passado.
É isso.
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