Cheguei ao velório às 15h45.
Uma hora e quinze minutos depois do horário marcado. Apenas a Sra. Monteiro encontrava-se
no local. Parecia ainda estar se despedindo do tão amado filho. Aguardei a uma
distância que permitisse alguma privacidade.
Logo após a despedida virou-se, e percebeu minha presença. Com um sorriso tímido e carregado de tristeza, cumprimentou-me:
Logo após a despedida virou-se, e percebeu minha presença. Com um sorriso tímido e carregado de tristeza, cumprimentou-me:
- Olá, Milton. Que bom que veio se despedir. Sabia que não deixaria de
vir.
Fingi não ver que chorava e, deixando toda a pena que sentia daquela mulher de lado, respondi:
Fingi não ver que chorava e, deixando toda a pena que sentia daquela mulher de lado, respondi:
- Me perdoe. Mas demorei propositalmente.
A Sra. Monteiro não parecia
surpresa.
- Sabe, ‘tia’ (costumava chama-la assim mesmo não havendo parentesco entre nós)... Não queria vê-lo dentro de uma caixa de madeira. Não é essa lembrança que quero manter em meu pensamento. Pretendo lembra-lo sorridente e brincalhão. Inocente, como sempre.
- Entendo... – a Sra. Monteiro já não podia mais conter o choro.
- A senhora necessita de alguma ajuda? Quer que a leve até seu carro?
- Não, rapaz. Vá se despedir do seu amigo. – Disse a mulher que era como uma segunda mãe pra mim.
- Tudo bem... – respondi.
- Sabe, ‘tia’ (costumava chama-la assim mesmo não havendo parentesco entre nós)... Não queria vê-lo dentro de uma caixa de madeira. Não é essa lembrança que quero manter em meu pensamento. Pretendo lembra-lo sorridente e brincalhão. Inocente, como sempre.
- Entendo... – a Sra. Monteiro já não podia mais conter o choro.
- A senhora necessita de alguma ajuda? Quer que a leve até seu carro?
- Não, rapaz. Vá se despedir do seu amigo. – Disse a mulher que era como uma segunda mãe pra mim.
- Tudo bem... – respondi.
Segui em direção ao local
onde jazia o meu ‘braço direito’. O melhor e pior amigo que eu nem mesmo
merecia ter conhecido um dia. De alguma forma, sentia como se eu tivesse a
obrigação de estar em seu lugar.
Não...
Ele fez o que muito marmanjo não teria ‘colhão’ pra fazer. Foi corajosamente idiota. Ao contrário do que sempre fui: um covarde que se escondia atrás de uma máscara. A máscara que escondia todas as lágrimas que derramei, enquanto fingia que tudo iria sucumbir à efemeridade...
Mas não naquele dia.
Não...
Ele fez o que muito marmanjo não teria ‘colhão’ pra fazer. Foi corajosamente idiota. Ao contrário do que sempre fui: um covarde que se escondia atrás de uma máscara. A máscara que escondia todas as lágrimas que derramei, enquanto fingia que tudo iria sucumbir à efemeridade...
Mas não naquele dia.
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