19 de nov. de 2012

Adiós


Cheguei ao velório às 15h45. Uma hora e quinze minutos depois do horário marcado. Apenas a Sra. Monteiro encontrava-se no local. Parecia ainda estar se despedindo do tão amado filho. Aguardei a uma distância que permitisse alguma privacidade.

Logo após a despedida virou-se, e percebeu minha presença. Com um sorriso tímido e carregado de tristeza, cumprimentou-me:

- Olá, Milton. Que bom que veio se despedir. Sabia que não deixaria de vir.

Fingi não ver que chorava e, deixando toda a pena que sentia daquela mulher de lado, respondi:

- Me perdoe. Mas demorei propositalmente.

A Sra. Monteiro não parecia surpresa.

- Sabe, ‘tia’ (costumava chama-la assim mesmo não havendo parentesco entre nós)... Não queria vê-lo dentro de uma caixa de madeira. Não é essa lembrança que quero manter em meu pensamento. Pretendo lembra-lo sorridente e brincalhão. Inocente, como sempre.

- Entendo... – a Sra. Monteiro já não podia mais conter o choro.

- A senhora necessita de alguma ajuda? Quer que a leve até seu carro?

- Não, rapaz. Vá se despedir do seu amigo. – Disse a mulher que era como uma segunda mãe pra mim.

- Tudo bem... – respondi.

Segui em direção ao local onde jazia o meu ‘braço direito’. O melhor e pior amigo que eu nem mesmo merecia ter conhecido um dia. De alguma forma, sentia como se eu tivesse a obrigação de estar em seu lugar.

Não...

Ele fez o que muito marmanjo não teria ‘colhão’ pra fazer. Foi corajosamente idiota. Ao contrário do que sempre fui: um covarde que se escondia atrás de uma máscara. A máscara que escondia todas as lágrimas que derramei, enquanto fingia que tudo iria sucumbir à efemeridade...

Mas não naquele dia.


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