15 de fev. de 2013

"Ah! Se é comigo..."

Jânio e eu íamos sempre ao mesmo bar. Três vezes por semana para ser exato. De vez em quando rolava briga.

Certa vez um daqueles 'marombeiros' entrou no bar e arrumou encrenca com um 'magricela'. O pobre homem não fez nada. Ninguém fez. A porrada não rendeu muito: o bombado chegou chegando e forçou o cara a pagar uma rodada de bebida para ele e seus amigos. Logo que a galera braba saiu, Jânio exclamou:

- Rapaz, sorte deles que resolveram encrencar com o magrela. Ah! Se é comigo...

Não dei muita bola e continuamos com outros assuntos.

Uma semana depois aconteceu a mesma coisa. Dessa vez com um cara meio nanico. O mesmo modus operandi, e o Jânio:

- Sorte deles que foi com o baixinho. Ah! Se é comigo...

Novamente não dei muito papo. Paramos por aí e fomos para casa.

Na outra semana eu estava atrasado pra nossa birita de sempre. Liguei pro Jânio dizendo que ia me atrasar uns quinze minutos. Quinze minutos para a tristeza do Jânio e pra minha sorte. Jânio que me desculpe.

Quando cheguei ao bar, encontrei o meu pobre amigo todo surrado. Dois ou mais dentes estavam quebrados. Perguntei o que havia acontecido e o garçom, todo mijado - como era de praxe nas situações de briga -, me explicou tudo: o grandalhão de sempre, ou pelo menos desde a semana retrasada, 'sorteou' o Jânio e aí deu no que deu. Sustentei o que o restou do Jânio nos ombros e fui carregando o cidadão até a sua casa.

No meio do caminho resolvi perguntar onde estava toda aquela valentia que ele exibia quando as vítimas eram os outros. O Jânio, com a cara mais lavada e esbofeteada do mundo, me disse:

- Sabe Jurandir. Eu não quis reagir pra não estender muito a confusão, entende? Não quis machucar os caras. Além disso, eu não me importo muito se esse tipo de coisa acontece comigo.

Agora, se fosse com você Jurandir, meu amigo....

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