Havia acabado de acordar. Olhei para esquerda e lá estava ela. O cobertor cobria apenas a parte inferior do seu corpo. Linda! Parecia um anjo. Nada daquela garota que insistia em parecer a ‘femme fatale’, devoradora de homens. Acariciei seu rosto e tornei a dormir. Algum tempo depois ela me despertou, disse que precisava ir embora o mais rápido possível, e foi.
No dia seguinte eu liguei, mas não consegui uma resposta. Esperei por duas semanas e nada. Achei melhor não insistir. Ela podia estar ocupada. Trabalhando, talvez.
O fim-de-semana se aproximava. Eu saia do escritório quando João me enviou um SMS: ‘me liga assim que puder’. O que será que ele queria com tanta urgência? - questionei. Ignorei a mensagem por alguns minutos, mas acabei retornando.
João atendeu ansioso, afoito:
- Alô, Milton – Exclamou João antes que eu dissesse qualquer palavra.
- Sim, João. Sou eu. O quê você quer comigo?
- Quero saber o que vai fazer nesse fim-de-semana – Havia certa expectativa em sua pergunta.
- Bem... A princípio nada. Alguma sugestão?
- Eu não pude te avisar antes, mas vou dar uma festa no Sábado e você é meu convidado de honra. Você vem?
- É claro que vou. Que horas e que tipo de festa será?
- Começa as 21:00 horas. Vista o seu melhor terno. É uma ocasião especial.
- Ocasião especial? Hum... Ok! Nos vemos Sábado então. Abração.
- Abração, Milton!
Estranhei a festa – João nunca havia dado uma. Fiquei curioso com relação ao motivo disto. Estranhei mais ainda o fato de João me conhecer o suficiente pra me pedir pra usar terno - sabia que ia quebrar a cabeça pra conseguir um. Devia ser uma ocasião especial de verdade.
Duas horas antes da festa eu já estava pronto. O meu celular tocou. Um táxi me esperava na portaria. O motorista parecia um daqueles mafiosos de filmes antigos. João estava sentado no carona com a mão direita para fora. Consegui ver algo reluzente em seu dedo, só não consegui identificar o que era. Entrei no carro e dei boa noite. Apenas o taxista respondeu. João não falou nada até chegarmos ao local, também não tirou o sorriso do rosto.
Ao chegar ao salão de festa fiquei impressionado com o requinte e bom gosto do recinto e com o mundo de gente que estava por lá:
- Gostei do local, é de muito bom gosto. Fora as pessoas que parecem ter saído de um comercial de creme dental. Quanto gastou com todos esses figurantes?
Duas horas antes da festa eu já estava pronto. O meu celular tocou. Um táxi me esperava na portaria. O motorista parecia um daqueles mafiosos de filmes antigos. João estava sentado no carona com a mão direita para fora. Consegui ver algo reluzente em seu dedo, só não consegui identificar o que era. Entrei no carro e dei boa noite. Apenas o taxista respondeu. João não falou nada até chegarmos ao local, também não tirou o sorriso do rosto.
Ao chegar ao salão de festa fiquei impressionado com o requinte e bom gosto do recinto e com o mundo de gente que estava por lá:
- Gostei do local, é de muito bom gosto. Fora as pessoas que parecem ter saído de um comercial de creme dental. Quanto gastou com todos esses figurantes?
João gargalhou:
- Não são figurantes. O lugar e as pessoas foram escolhidos por ela.
- Não são figurantes. O lugar e as pessoas foram escolhidos por ela.
Antes que pudesse perguntar quem era ‘ela’. João me cortou:
- Sossega aí. Você vai conhecê-la. Ela é linda, geniosa e parece um anjo.
- Ok – eu disse – Estou aguardando ‘ansiosamente’.
Fomos até o salão, João pediu que eu ficasse à vontade e afirmou que precisava resolver umas coisas relacionadas à festa.
Encontrei uns amigos da época da faculdade. Começamos a conversar e colocar o papo em dia, falamos sobre as meninas da época e o pessoal que anda sumido. Rimos quando lembramos de alguns dos nossos feitos. Até o momentoem que João nos interrompeu:
Fomos até o salão, João pediu que eu ficasse à vontade e afirmou que precisava resolver umas coisas relacionadas à festa.
Encontrei uns amigos da época da faculdade. Começamos a conversar e colocar o papo em dia, falamos sobre as meninas da época e o pessoal que anda sumido. Rimos quando lembramos de alguns dos nossos feitos. Até o momento
- Pessoal! Quero lhes apresentar a minha namorada, Vanessa.
Vanessa, Vanessa, Vanessa... Aquele nome ecoou na minha cabeça e quando virei em direção à dita cuja, meu chão sumiu. Ela fitou bem nos meus olhos sem esboçar reação alguma. Cumprimentou como se nunca tivesse me visto na vida e se voltou para os outros convidados.
João se aproximou, colocou a mão no meu ombro e disse, apontando para a dondoca:
Vanessa, Vanessa, Vanessa... Aquele nome ecoou na minha cabeça e quando virei em direção à dita cuja, meu chão sumiu. Ela fitou bem nos meus olhos sem esboçar reação alguma. Cumprimentou como se nunca tivesse me visto na vida e se voltou para os outros convidados.
João se aproximou, colocou a mão no meu ombro e disse, apontando para a dondoca:
- É ela, Milton. Estou muito feliz por estar aqui nessa festa, por poder compartilhar a minha felicidade com o melhor dos meus amigos.
João sorriu e se afastou.
Eu só conseguia pensar no problema que havia me metido e me perguntava por que ela não disse que era comprometida.
Eu só conseguia pensar no problema que havia me metido e me perguntava por que ela não disse que era comprometida.
Então foi Por isso ela não retornou minhas ligações. Talvez ela estivesse traindo o meu amigo com outros cretinos. Mas que filha da...! - divaguei por um instante.
Aguardei o momento em que ela ficou só, peguei-a pelo braço e a levei para um canto onde ninguém pudesse nos ver:
- Porquê você não me disse, Porquê? Você tem noção da cretinice que me levou a fazer? Você tem noção? – não conseguia administrar a força com que apertava o braço dela.
- Porquê você não me disse, Porquê? Você tem noção da cretinice que me levou a fazer? Você tem noção? – não conseguia administrar a força com que apertava o braço dela.
- Me solta! – ela replicou. Eu não te forcei a nada. Dormiu comigo porque quis. E posso apostar que gostou bastante, não gostou?
Eu não me contive:
- Cala a boca, vagabunda! Eu não podia adivinhar que você tinha namorado e muito menos que o tal fosse meu melhor amigo. Eu devia surrar você aqui.
- Porque você não me surra então e diz que pra todo mundo que você, Milton, o melhor amigo do João foi cúmplice dessa traição, hein?
Eu hesitei.
Ela sorriu, deu as costas e sumiu no meio dos convidados.
‘Desgraçada, vadia’. Não conseguia pensar outra coisa. De qualquer modo ela tinha razão, eu não podia dar um golpe desses no João. Não nesse momento que ele considerava tão feliz. Tive que ficar calado. Conheço o amigo que tenho, ele não suportaria a pressão.
Foi um dos piores momentos pra mim. Todo mundo se divertia, enquanto eu ficava admirando a personagem que Vanessa representava sem poder fazer nada.
Foram dois anos de compromisso, o mesmo tempo que levou pra João descobrir que Vanessa o traia. Pobre João. Até hoje não sabe do erro que cometi. Foi um dos piores momentos pra mim. Todo mundo se divertia, enquanto eu ficava admirando a personagem que Vanessa representava sem poder fazer nada.
Se você me perguntar como consigo dormir em paz depois de tudo isso, eu responderei:
Quem foi que disse que ainda consigo dormir em paz?
2 comentários:
Pode botar a cabeca no travesseiro e dormir tranquilo - voce nao sabia, nao tinha como saber.
talvez devesse ter contado pro Joao que ele estava entrando numa furada, mas e dificil estragar a felicidade alheia, mesmo quando a gente sabe que ela nao e de verdade.
Bj
Mais um texto MUITO bom!
Seu estilo lembra o João Paulo Cuenca, um dos meus autores preferidos.
Continue investindo nisso!
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